Ruta del Agua en San Luis Potosí (versión en portugués)

Por Maria Pinto Coelho

A autora deste texto é a professora Maria Pinto Coelho, de nacionalidade portuguesa e integrante de IALD, é reconhecida em nível internacional por seus projectos de desenho de iluminação e por sua actividade acadêmica. É um dos membros fundadores da Associação de Desenhadores de Iluminação Iberoamericanos (DIILUM) e compartilha com Illuminet o seguinte texto escrito após a apresentação desta Associação, em 19 de outubro de 2011, durante o PLDC, em Madri.

Este será o primero artigo em Portugês na revista Iluminet e surge na sequência da apresentação a 19 de outubro da futura associação Diilum durante a PLDC 2011, em Madrid. Talvez, possamos assim dizer que será a primeira revista que toma a iniciativa de dar corpo a um dos principais motores conceptuais desta associação: promover a cultura dos designers da iluminação na America Latina e na Peninsula Iberica na lengua española e portuguesa. Assim, não resisti a publicar este projecto, da autoria (www.lightmotif.pt), realizado a convite do Governo – Secretaria de Turismo de San Luis Potosí, Mexico em 2009. Afinal, as relações IberoAmericanas já existem, neste e em muitos outros projectos, aquí e ali, mas através da Diilum poder-se-á vir a ser melhor divulgada, promovida e estimulada este universo profissional. Damos, assim, mais um passo!

Projecto de Iluminação Urbana e Ambiental da Ruta del Agua, SLP Mexico, 2008.

Esta informação histórica permite-nos identificar a relevância do percurso ao longo da Calzada de Guadalupe na cidade de San Luis Potosí no México, como o troço histórico-urbano mais relevante para o tema – AGUA. Outros elementos urbanos, como os poços e as fontes (elementos verticais) servem, igualmente, de suporte a este conjunto.

Mas, o Projecto de Iluminação Urbana e Ambiental da Ruta del Agua, SLP Mexico, é uma intervenção à escala urbana com preocupações acrescidas de desenho urbano pelo que, debruçamo-nos pela qualidade dos pavimentos a redesenhar e a dimensionar para melhor desenvolver a solução final. Esta intervenção, ao revelar-se a um nível de intervenção que supostamente ultrapassa as competências do designer, deixa-nos confortavelmente satisfeitos porque nos movimentamos numa área em que temos formação e qualidade técnica e profissional para assumir essa responsabilidade.

Assim, o conceito que desenvolvemos para o projecto de design de iluminação centra-se no troço da Calzada de Guadalupe e desenvolve-se tendo uma preocupação de revalorização deste percurso fundamental para os potosinos. Um percurso com cerca de 1km de extensão num pavimento muito irregular e de fácillmente inundavel, dada a falta de escoamento da água da chuva e a invitável saturação do solo, dificultando a absorção do excesso de água, principalmente junto à via de circulação rodoviária.

Assim, intervir neste espaço requere uma especial atenção às características presentes e uma necessária actuação para reduzir e minimizar estes problemas, já que a instalação da iluminação irá requerer especiais cuidados, afim de garantir o tempo de vida da própria instalação eléctrica e dos equipamentos profissionais especificados.

Surge pois, a necessidade de intervir no pavimento onde a iluminação se irá instalar, uma passadeira de 1.20m de largura, situado a cerca de 1.20m do limite a Calzada, (lado direito do sentido Sul-Norte), e que se estende desde a fonte em frente ao Templo da Basilica de Guadalupe até à Caja del Agua. Este traçado teve em conta a direcção do movimento da água, a protecção do percurso à via de circulação automovel mas, ainda, e principalmente, encontra-se dentro dos ‘passos’ do aguadeiro. A presença desta escultura torna-se fundamental considerar como parte integrante, quicá inspiradora, da nossa intervenção. Assim, marca, não só, o sentido do movimento da água como, ainda, o ritmo que se estabelece a partir da Caja del Agua, o ponto de abastecimento, agora de distribuição, dos aguadeiros. O aguador caminha, então, nesta ‘passadeira’ que evocará o movimento da água até à Caja del Agua, num padrão ondulante, em linha, e depois, com um segundo padrão de luz, que traduz e evoca os passos do aguador em direcção à cidade.

Pavimentos (solução A e solução B):

Considerando as características do pavimento existente marcado pela irregularidade de colocação de faixas de 0.40m de lajes de cantera oro de vibora, com dimensões variáveis (0.40m, 0.50m, 0.60m), desenvolvemos duas propostas possíveis de revalorização urbana para a construção desta importante ‘passadeira’, que marcará o percurso da ruta del agua de dia e de noite. Esta marcação de dia é, igualmente, importante manter como referência urbana permanente.

Solução A.: Colocação de 2 linhas de cantera de oro de vibora (0.40mx0.60m) a cerca de 1.20m do limite da Calzada (lado direito, na direcção N)

Esta solução apenas exige:

  • retirar 3 linhas de lajes e nivelar o pavimento na faixa de 1.20m.

  • fornecimento de cerca de 1194m2 de lajes de cantera oro de vibora com as dimensões de 0.40m x 0.60m.

  • a colocação de forma precisa e rigorosa das novas lajes de cantera oro de vibora, conforme o presente projecto de design de iluminação.

Solução B.: Colocação de um ‘tapete’ permeável de Terraway de 1.20m de largura,

Esta opção exige:

  • retirar 3 linhas de lajes e nivelar o pavimento na faixa de 1.20m

  • colocar um tapete de Terraway (1.173m2) de 1.20m de largura, em substituição de 3 fiadas de cantera oro de vibora existentes reutilizando a pedra retirada.

Esta solução parece-nos muito interessante, já que reaproveita na totalidade as lajes retiradas dentro desta faixa de 1.20m de largura, muito importante como princípio de sustentabilidade da intervenção reduzindo, assim, os custos no fornecimento da pedra pois, esta será a matéria prima para a construção do tapete Terraway.

 

  1. I.               Proyecto de diseño de iluminación

O projecto de design de iluminação do tema da água abrange, assim, a ruta del agua e os pontos de referência visual presentes no centro histórico donde a Calle I. Zaragoza será o eixo de distribuição urbano-visual para os outros pontos. A chegada a cada um dos pontos (fontes/poços), poderá efectuar-se por diferentes aproximações pelo que, não importa referenciar visualmente um percurso específico mas, permitir a liberdade de movimentos pedonais em todo o centro histórico.

A cor azul parece-nos um forte elemento indicador para construir este mapa de possibilidades, pelo que será esse o elemento visual que une a ruta del agua (elemento horizontal) a outros pontos visuais/fontes (elemento vertical). Todo o projecto toma, ainda, a deslocação da água na direcção S-N reforçando, assim, o significado do tema.

A presente proposta não interfere, nem se deixar interferir, pela iluminação pública existente procurando, ainda, não introduzir novos, e desnecessários, elementos urbanos à compreensão do tema. Também se estabelece num campo visual diferenciado (ao nível do pavimento (P1) e a 600mm de altura (P2)) da Ruta de la Procesión que se encontra a 5m de altura.

Concorre, igualmente, para os princípios de manutenção inexpressiva e, neste caso, de consumos muito reduzidos. Esta é mais uma proposta que concorre para integrar a cidade de SLP na rede de cidades LED. Esta comunidad de ciudades que promueve esta tecnologia como parte de la insfraestrutura de las ciudades, con el objectivo de horrar energia, proteger el medio ambiente, reducir los costes de mantenimiento e proporcionar una mejjor calidade de luz.

Assim, a luminária P1, é uma luminária de encastrar no pavimento, sem aro envolvente, (diâmetro no subsolo de 108mm), em LED azul e de consumo 1,8W. Essa mesma luminária cuja secção é de 105mm é também a instalada no bollard de 100mm de altura (P2), o que permite:

–                uma coerência e unidade na intervenção.

–                uma redução de custos de aquisição.

–                uma redução de custos de manutenção – um tipo de luminária.

2.1 Ruta del Agua – percurso desde a fonte em frente à Basilica de Guadalupe até à Caja del Agua (des.II.2.1; des.II2.2)

Conforme a definição final do pavimento a colocar (solução a ou b), o padrão de luz será sempre o mesmo. Contudo, a solução a. exige o encastramento das luminárias P1 segundo uma furação precisa das lajes  de cantera oro de vibora (0.40mx0.60m) para produzir o efeito onda/movimento vs uma linha horizontal, plano aparentemente estático.

Assim, para criar uma modulação visual no percurso (padrão A), temos um conjunto de tipologias de lajes de cantera oro de vibora (1, 2, 3, 3’ e 4) que serão colocadas, segundo uma furação específica para encastramento da luminária P1.

A partir da Caja del Agua, este padrão altera-se para simular os passos do aguador que transporta a água, gota a gota, passo a passo. Passo e gota estão na origem da importância da água para a sobrevivência humana. A colocação deverá seguir com rigor todas as indicações do presente projecto para obter o efeito visual desejado.

2.2 Calle I. Zaragoza (des. II 2.3)

Nesta calle, onde se situam um conjunto de casas mais significativas com poços no seus patios donde, originalmente, os potosinos se abasteciam de água, essa referencia é feita pela colocação de luminárias com 600mm de altura (P2) para evocar este tipo de acesso água.

A implantação de P2 aproveita a existência de balizadores ao longo deste eixo, que se encontram em péssimo estado de conservação, para colocar nesses mesmos pontos os bollards P2 (de LED azul), neste caso, sempre antes de cada cruzamento no sentido S-N. Assim, este equipamento mobiliário urbano cumprirá com ambas funções introduzindo-se um elemento de valorização do espaço público.

2.3 Fontes (des. II 4)

As fontes indicadas como mais importantes do tema ‘água’ já se encontram iluminadas mas, pensamos que teríamos que incluir estes pontos como parte do tema mas, sem introduzir elementos diferenciados,. Assim, esta referência é obtida através da instalação de um par de bollards P2, num ponto especifico, a indicar com precisão em obra.

Esta solução tem igualmente a vantagem de pode ser alargada a todas as fontes que se deseje tendo sido, contudo, feita a marcação em 5 fontes: Plaza de los Fundadores, Plaza de Armas, Plaza del Carmen, Plaza San Francisco e Jardin Vicente Guerreiro.

  1. Procedimientos de instalación – tecnología e innovación

A instalação das luminárias P1 exigem uma definição do tipo de pavimento a colocar (sol A. ou B). No caso das lajes de oro de vibora o encastramento desta luminárias terá que se efectuar de forma precisa  seguindo a tipologia de furação (1,2,3,3’,4) para encastrar P1 na laje de cantera de oro de vibora. (des.II.3.1)

Tipologia das lajes de cantera de oro de vibora (0.40×0.60) para construção do padrão A:

Laje 1 – laje simples, sem furação.

Laje 2 –furação conforme distâncias referidas em desenho.

Laje 3 e 3’ – lajes cuja furação é rigoramente igual mas, cuja colocação no pavimento é feita de forma assimetrica relativamente ao plano horizontal.

Laje 4 – laje cuja furação é efectuada no seu centro geométrico.

A precisão colocação das lajes, que deverão ser fornecidas com a furação realizada é extremamente importante, porque a sensação de movimento da luz depende exclusivamente da colocação de cada um dos pontos de luz na sequência descrita no padrão.

O padrão A torna-se mais fácil de cumprir, do que no tapete Terraway, que terá que criar um molde de lajes em madeira e ir, sucessivamente, construindo a sucessão de aberturas para o encastramento das luminárias P1. (des.II.3.2)

Construído o padrão, a sua colocação é feita relativamente aos bancos servindo estes de espelho para introduzir a sequência que se estabelece de cada lado dos limites deste equipamento urbano, dependendo do número de lajes no caso da solução A. Sempre que existe um cruzamento/interrupção na Calzada, o padrão interrompe e continua a sequência. (des.II 2.1)

Este padrão termina ao eixo da Caja de Agua, ponto a partir do qual o padrão se altera para os passos do aguadeiro até ao fim do percurso. A colocação da chapa identificativa da escultura deverá ser colocada em nova posição de leitura (S-N), e de acordo com o padrão das lajes proposto.(des.II 2.2)

 

 

Lightmotif.arquitectura

Professor M Pinto-Coelho IALD

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